sexta-feira, 26 de abril de 2013

Dê-me um Pedaço de Mundo


Trombetas soam
Me permitem um cheiro de chuva
Pingos doces, manhãs nubladas,
Sorriso amarelado de café.
A rotina diária me permite sonhar,
Voar nas asas do som
E alcançar o cume da chapada
Verdinha, molhada,
Envolta em neblina.

Torpes desejos de ser o que não posso,
O que não sei ser, o que não quero.
Dê-me um acalanto, um sorriso, um novo chão,
Pra que meus pés, assim, possam
Respirar terras novas, novos ares,
Outros mundos.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Esperar...

Não me pergunte pelas flores
Por mais que as quisesse
Não saberia ser tão natural
Não saberia do tempo em que elas cantam

Choveria num olhar lacrimal
As póstumas certezas
Do olhar que não veio
Do sorriso que não veio
Do concreto que se ergueu no céu
E me deixou a esperar a ultima condução

O relógio fez o giro
E de tantos vaga-lumes elétricos que se moveram
Nenhum deles você estava
E nessa selva urbana de buritis e shopping center
Percebi que se aproximara o ultimo vagão
E caberia a mim decide embarcar nessa viagem.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Eterno em Nós


As lágrimas que caíram
Não passa de um rio caldaloso atemporal.
Não pergunta às águas, não anuncia chegada.
Mas o sol há de brilhar
E por trás dessa chapada de aras cantadeiras
As luminosas sementes do amanhecer hão de vinga
Hão de florescer flor a flor.

E seremos assim espectadores,
Platéia de um amanhã de sonhos
E felicitaremos os dias vindouros.

Perpétuas Águas

As águas que banha os  meus ouvidos
É a cachoeira da tua voz que derrama em meu peito
A suavidez do teu abraço de mãe
E que apronta em meu terreiro
As mais lindas brincadeiras de dia de Reis

O sonho doce que é afável ao meu prazer
É o teu corpo que arde de amor
E faz a rosa germinar num grito de esperança

Meu espírito de menino forasteiro
Encontrou dentro de ti
A mais emocionante prisão,
A mais calorosa sensação de amar
Encontrou, ainda, em teus olhos
A as mais melodiosas e aromáticas
Formas de sonhar.

Porque tudo isso não seria por Ti
Se não fosse por Ti.

sábado, 1 de outubro de 2011

A Casca


Espesso... ríspido... carrasquento...
A beleza escondeu-se por dentro da crosta endurecida e de repente aquela voz suave e doce se desfazia em um segundo. Deu o mel que não tinha e a atingiu a todos com amargor que decorria dos olhos e o que era luz, naquele momento, transformou-se num mero balbucio. A poesia se desfez, o encanto se desfez, a satisfação de receber uma chuvarada de belas melodias rolou feito água de enchente... 
Devastando os olhares verdejantes tomou seu violão em mãos e apontou a alma de cada coração e decretou:
"Eu não sou o que você quer eu seja, eu não quero ser..."
Descubra-se em meio aos sentimentos...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Brasil...


Infelizmente vivemos em um país onde professor "apanha" por lutar por seus direitos, onde pai de família é morto "misteriosamente" por bala perdida, onde a leis do bom senso foram borradas e jogadas lixo. Vivemos num país onde político corrupto nunca é preso, embora as provas sempre provem o contrário. Vivemos num país onde a constituição é lida e executada de "cabeça para baixo".
Brasil, lamentavelmente caminhamos por caminhos tortuosos sendo o ERRADO certo e o CERTO errado. Conduzimos nossas trilhas como se fora uma linda fábula onde tudo termina bem e todos felizes, vivemos um verdadeiro paradoxo... achamos ainda que o bem estar de cada indivíduo depende somente dele, engano, vivemos uma "cadeia". Inevitavelmente estamos todos presos a um mesmo sistema onde tudo está interligado, um dependendo do outro pra sobreviver.
Ousamos ainda dizer que os animais são insensíveis, "seres brutos" incapazes de desenvolver raciocínios ou sentimentos. O HOMEM presenteou-se com uma viseira que o impede de enxergar as laterais, as margens. Preferimos viver num mundo de faz de conta e acreditar que o "pó de pirlimpimpim" solucionará todos os nossos problemas.
Na verdade, por que pensar em tudo isso?
Perdemos a capacidade de sonhar e de alçar vôos à felicidade, vivemos de futilidades e inexpressivos conceitos caquéticos à conquista da "liberdade".
Proponho um minuto de reflexão... 
como estamos conduzindo o nosso país???

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Passarinhando Desejos


Dia e noite cantariando
Passarinho felicidade
Feito o versos na verdade
Na leveza do voar
E do sol se pondo a raiar
Beijando nuvens de algodão
Minha cantiga é uma oração
Rogando por longa vida
Meu canto alto se ativa
Ao olhar pra esse chão

Se dueto minha história
Feito viola em pensamento
Meu tracejado vai ao vento
Perdurando esse caminho
E se me vejo tão sozinho
É por tanta obrigação
De cantar com intenção
De alegrar os seus desejos
Sentir o gosto dos beijos
banhados de emoção

Duas almas que se encontram
Num terreiro grande a dançar
Um forró, um tango, um bailar
Uma valsa, um samba numa latada
O tempo para e pede entrada
Pra assistir emocionado
A dança do corpo alado
Que nos olhos da-se um nó
Levantando terra e pó
Nesse ar contagiado

Pois se fez um grande nó
Que é incapaz de desatar
E tudo se pôs a parar
Pra apreciar aquele momento
Girou o tempo a seu intento
Até a chuva caiu maneira
Da primeira até a derradeira
Gotejou numa lentidão
Fez-se lágrima em ribeirão
desaguando em ribanceira

Nas voltas que a terra gira
Eu volteio num cantar
E me deixo passarinhar
Sem dizer se é certo ou errado
Mas trago o vento ao meu lado
Curando dor de paixão
E me levanta desse chão
Aplaudindo a subida
E torno a viver a vida
Desse vôo Temporão.